Estratégia e controle emocional marcam a Nacional do Cavalo Árabe no Haras Albar
Calor, umidade e chuva exigiram ajustes na condução e atenção à recuperação dos cavalos. Dos 120 km à iniciação infantil, programação reuniu diferentes níveis de experiência na modalidade.

A gestão do esforço e a capacidade de adaptar a estratégia marcaram a Nacional de Enduro do Cavalo Árabe, disputada em 11 de outubro no Haras Albar, em Campinas (SP). Com provas de 20 a 120 km, além da programação infantil, o evento evidenciou exigências técnicas da modalidade: preparo físico do conjunto, controle de ritmo e avaliação contínua das condições do cavalo.

Após as chuvas que antecederam a competição, a manhã começou com temperatura agradável. Ao longo do dia, o calor e a umidade tornaram a recuperação dos animais mais exigente, demandando atenção ao resfriamento, à hidratação e à resposta de cada cavalo nos atendimentos. No último anel, a chuva alterou novamente o piso, exigindo ajustes de velocidade e maior precisão na condução.

Nos 120 km, Ana Carolina Bernardes precisou administrar também um imprevisto no início do percurso. De volta com o cavalo com que não havia concluído uma prova em agosto, a amazona sofreu uma queda no primeiro anel. Com o auxílio de Ana Carla Maciel para recuperar o animal, avaliou possíveis sinais de desconforto antes de montar novamente.

Ao completar o trecho, Carol comunicou a queda ao veterinário do vet check, permitindo que o episódio fosse considerado na inspeção. Segundo seu relato, o cavalo apresentou trote normal e foi aprovado para continuar. A retomada exigiu controle emocional para avaliar a situação, reorganizar a estratégia e manter a condição do animal como critério para prosseguir.
“Ter terminado para mim foi muito gratificante”, afirmou após concluir os 120 km.
Para a amazona, essa avaliação se estende às paradas obrigatórias. Alimentação, ingestão de água, comportamento e frequência cardíaca oferecem informações sobre a recuperação e ajudam a definir o ritmo do anel seguinte. O intervalo mobiliza toda a equipe em um trabalho de observação e atendimento.
“É um cuidado com todos os detalhes para você concluir bem a prova com o seu cavalo.”
Tiago Manetta encontrou condições de trilha melhores do que esperava após as chuvas dos dias anteriores. Para o Haras Trio, a participação reuniu dois resultados relevantes: o retorno de Logan a uma disputa de alto nível e a vitória de Lacoste, recentemente readquirido pelo criatório. Conduzidos por Tiago Manetta e Renato Salvador, os cavalos são irmãos próprios, filhos do mesmo pai e da mesma mãe.

“Que bom que conseguimos fazer um resultado desse com dois irmãos próprios”,
celebrou Tiago. O cavaleiro também destacou a organização do Albar, a atuação de veterinários e juízes e o suporte às equipes desde os dias anteriores à competição.

A formação de novos atletas teve espaço no Endurinho, percurso de 5 km realizado com acompanhamento de um adulto, responsável por orientar e guiar a criança. Em sua estreia, Victoria Martins, filha da amazona Rachel Martins, participou dos cuidados com o cavalo após a chegada e, durante a avaliação veterinária, aprendeu a ouvir os batimentos cardíacos com o estetoscópio. Também escutou o coração da mãe, em uma experiência que Rachel destacou como especialmente significativa para a filha.
A participação compartilhada entre crianças e familiares apresenta o esporte por meio da prática supervisionada. Condução, cuidados e contato com a equipe veterinária introduzem responsabilidades que acompanham a evolução na modalidade, criando oportunidades para desenvolver confiança, autocontrole, respeito e cooperação.
Da iniciação aos 120 km, a programação do Albar mostrou a progressão técnica do enduro. À medida que aumentam a distância e a exigência competitiva, tornam-se mais complexos o planejamento, a preparação física e o trabalho de equipe. A avaliação veterinária e o respeito às condições do cavalo permanecem como fundamentos do desempenho em todas essas etapas.

Fotografias: Victor Pontes
